Não, não me enganei na expressão, o que eu fiz foi dar -literalmente!- com a porta no nariz de uma pessoa! Sem querer, por supuesto !…
Ora, isto vem a propósito de narizes e gente com charme…
Eu era finalista e ele era caloiro, e calhou-me na rifa praxá-lo. Só não o praxei porque entretanto uma colega mais afoita fez tudo e mais alguma coisa para ficar com o rapaz. Eu não entro nesse tipo de jogos, nunca entrei, pelo que acabei por praxar outro…
De referir que as nossas praxes eram do mais correcto possível: íamos tomar café com o nosso caloiro! E eu e a minha ‘vítima’ acabámos por ficar amigos.
Mas voltando atrás… A tal colega não era a única afoita, nem a única que fazia tudo e mais alguma coisa para ficar com o referido rapaz. O E. era o ‘jeitoso’ daquela turma de caloiros! Eu sou apologista que “o que tem que ser nosso, às mãos nos virá parar” e divertia-me a ver as figuras ridículas que três meninas com as hormonas aos saltos faziam para conseguir os seus intentos.
Um dia de manhã, acabada de chegar à universidade, com o meu característico mau-humor matinal, empurrei a porta de acesso ao átrio principal. A porta quase não se mexeu… E do outro lado ouvi: “F…-se!” Eu empurrei novamente a porta, mas desta vez com mais cuidado, e vejo o E. agarrado ao nariz. Assim que ele percebeu que era eu a culpada da situação atacou imediatamente: “Olha lá, és parva?!” Ao que eu contra ataquei: “Não, não sou parva… tu é que és! Desde quando é quem alguém está parado atrás de uma porta?!” Resultado: desatámos numa discussão estúpida… às 8:30 da manhã! Já farta da prepotência do ‘puto’, disse-lhe “Não me chateies, vê se cresces!” e virei-lhe as costas.
O ‘puto’ não se deu por vencido e desatou a correr a trás de mim, agarrou-me por um braço e disparou: “OK, eu perdoo-te se vieres beber café comigo!” … O quê?! Perdoa-me?!… A pancada afectou-lhe o cérebro, de certeza! … Mas o ‘puto’ não largava o meu braço, até que por fim eu disse: “Vale… mas pagas tu!”
Então lá fomos beber café… ele com o nariz inchado e eu com um peso na consciência… Nessa tarde teve de ir ao hospital fazer uma radiografia, mas apesar de muito magoado não tinha nada partido!… A conversa foi agradável e três dias depois namorávamos. O ‘puto’ tinha imenso charme e alma de artista… e eu adorava o nariz dele! Afinal o nariz dele era o culpado daquela situação!…
A nossa história durou dois anos, eu entretanto acabei o curso, fiz o estágio e fui para Madrid. E, quando voltei para Lisboa, já estava noutra fase… e ele também.
Uns anos mais tarde encontrámo-nos num evento cultural, cada um com o seu par, e por momentos houve um brilho especial nos nossos olhos… Não ficámos amigos, pois eu não tenho esse costume, mas eu sei (e ele também) que “notre histoire” sempre sempre um “doux souvenir”…
No sábado à noite, apesar das baixas temperaturas convidarem a ficar em casa, eu fui ao teatro. A verdade é que eu e a Miss Precious já tinhámos bilhetes há quase um mês, pelo que eu ignorei o frio e ela ignorou a constipação e fomos ver “MacBeth”, de William Shakespeare, ao Teatro da Trindade, no Chiado.
Já tendo lido a peça, e inclusive estudado a dita na Universidade, não me deparei com nenhuma surpresa. A concepção plástica é interessante, com especial destaque para a apresentação das três bruxas. O elenco é, no geral, consistente, apesar de não ter gostado da interpretação da actriz que faz de Lady MacBeth (Valerie Braddell): na minha opinião faltou-lhe uma certa volúpia… Mas gostei sobretudo de (re)ver o Diogo Dória.
Há muito tempo que não via o Diogo Dória em palco e, ainda que ache que ele já não tem o fulgor de outra época, penso que a sua presença continua a criar um certo impacto. Fisicamente é um homem alto que enche qualquer cena, mas o seu carisma reside na voz.
A voz é uma característica que me atrai nas pessoas, em especial nos homens. Uma voz bem colocada, segura de si, chama mais a minha atenção que uma ‘carinha laroca’.
Eis dois exemplos: Willem Dafoe e Michael Wincott.
O primeiro, conhecido actor americano, alterna o seu trabalho entre o comercial e o independente, e pelo meio empresta a sua voz a outra produções, entre elas a série de animação “The Simpsons” e o filme de sucesso “Finding Nemo”. O segundo, actor canadiano não tão conhecido como o primeiro, dedica-se mais ao cinema alternativo e além de representar e tocar guitarra, também empresta a sua voz a filmes de animação e a anúncios publicitários.
Nem um nem outro são considerados homens bonitos, mas eu também nunca gostei de homens bonitos… Aliás, é por demais conhecido, no meu restrito círculo de amizades (mais restrito que a Grande Oriente Lusitano!), o meu especial interesse por homens com rostos angulosos e narizes com personalidade. E se, ainda por cima, tiverem uma voz sedutora, é metade do caminho. A outra metade tem que ser preenchida com inteligência e senso de humor.
Assim que desculpem-me as meninas que gostam do Tom Cruise ou do Leo Di Caprio, mas eu fico com o Sr. Dafoe e o Sr. Wincott. Talvez um dia possamos beber café juntos, quem sabe se em Nova Iorque…
Ontem abordei os efeitos secundários do JET-LAG e, nem de propósito, à noite li um artigo sobre um novo tratamento revolucionário para o síndrome dos voos de longo curso… LUZMON!
O Tratamento Luzmon utiliza tecnologia da NASA (?!) e, resumindo e baralhando, consiste no seguinte:
A pessoa, despida, é deitada numa cama e ligada a um aparelho que envia ondas eléctricas para o corpo, de modo a intensificar a circulação sanguínea e o sistema linfático e assim permitir a eliminação das toxinas e o relaxamento dos músculos. Uma sessão de Luzmon dura 45 minutos e custa 120 euros.
O Tratamento Luzmon, uma invenção americana, ainda não está disponível em Portugal, e no Reino Unido existe há apenas dois anos… No entanto já tem bastantes adeptos!
Eu não serei um deles… Desculpem, mas não me agrada nada a ideia de estar despida, a levar choques eléctricos, e ainda por cima pagar por tal tortura!
Assim sendo, lá terei de continuar a sofrer com o JET-LAG …
É oficial, estou louca! Agora deu-me para trautear canções do José Cid! Bem, podia ser pior… o José Cid, para o bem e para o mal, é uma referência da música ligeira portuguesa. Sim, ligeira! Nos anos 80 chamava-se música ligeira, agora no século 21 chama-se música pimba!… Whatever!
Então dizia eu que há muito, muito tempo, era eu uma criança, ouvia falar no JET-LAG e achava que era uma coisa chique, coisa de pessoa viajada. Mais, achava eu que JET-LAG e JET-SET andavam de mãos dadas!
O meu tio materno, e padrinho de baptismo, trabalhava na TAP (não, não era hospedeiro!) e, por razões laborais, viaja muito… O tio/padrinho fartava-se de trazer prendas para a sobrinha/afilhada, entre elas Socas da Holanda! Para quê???… Mas nunca, jamais, levou a sobrinha/afilhada do coração numa viagem de avião! E tinha viagens de borla, o estupor…
Isto tudo para dizer que o tio/padrinho, ao contar as suas aventuras e desventuras aéreas, alimentou o mito do JET-LAG na mente da sua sobrinha/afilhada…
Há muito, muito tempo, era eu uma criança, achava que era uma coisa chique… até passar por ele!!! Qual chique, qual quê! É um horror!!!
Na ida, uma pessoa fica baralhada, e no meu caso cheia de sono, muito sono, a quer dormir perdidamente! Na volta, uma pessoa fica novamente baralhada, novamente cheia de sono… e indisposta, muito indisposta! Depois de uma viagem de 8 horas (mais 1 hora para recolher a bagagem e mais 1 hora para apanhar táxi), nada como estar com a cabeça na sanita, a “bomitar munhelos de cavelo” (vide Gato Fedorento, sff) – eu parecia que estava possuída!
Quase de joelhos e agarrada às paredes, arrastei-me até ao quarto e, no meio do turbilhão de ideias que assolava a minha mente naquele momento, lembrei-me do meu tio/padrinho… Quando ele me contava as suas aventuras e desventuras aéreas, nunca referiu o outro lado do JET-LAG: ou o estupor não sofria com ele, ou o estupor não quis acabar com o meu mito. Seja como for, a culpa é dele!!!
O adulto que somos é o resultado da criança que fomos… Assim que, Niño, toma lá: “¡ A joder con tus historias !”
A conjugação do verbo AMAR na primeira pessoa do singular no presente do indicativo, seguida do pronome pessoal complementar TE, é uma coisa muito complicada!
Mas, ultimamente, essa conjugação verbal tornou-se vã… todos dizem AMO-TE!
Claro que dizer é fácil… E sentir? Quantas pessoas realmente sentem o significado dessa frase quando a dizem?!…
Talvez por ter ascendência espanhola, sempre tive dificuldade
em dizer AMO-TE. Em castelhano, ainda que exista o verbo, geralmente não se utiliza essa conjugação. O mais usual é dizer-se TE QUIERO. E quando o arrojo da paixão é muito usa-se TE ADORO.
Talvez não acreditem, mas este pormenor afectou algumas das minhas relações sentimentais. Inclusive fui acusada de ser uma pessoa fria e insensível. Só porque não dizia AMO-TE!… Se eu tivesse assassinado a minha família à facada, seria o quê: uma pessoa quente e sentimental?!…
O que esse homem não sabe (nem nunca saberá) é que eu conjuguei muitas vezes o verbo amar… com um olhar, com um gesto, com um beijo… Mas não, isso não era aceitável, eu tinha que dizer AMO-TE!
Não disse! E ele irritou-se! Aliás, passou-se! E eu também! Para outra fase da minha vida!
Posteriormente, noutra relação e perante a mesma problemática, ao dizer pela primeira vez EU GOSTO MUITO DE TI fiquei -por segundos- em pânico… Mas o menino dos meus olhos sorriu. E eu sorri também.
É tão bom quando alguém fala o mesmo ‘idioma’ que nós…
No seguimento do assunto de ontem, e em relação com o comentário da Marta, lembrei-me de uma situação curiosa.
Há uns anos, mais propriamente na década de 90 do século passado, um amigo meu tinha sido colocado em funções no Funchal. Sempre que vinha ao ‘continente’, mais propriamente à capital, telefonava-me e combinávamos uma saída. As ditas saídas começavam, geralmente, com um jantar no Alcântara Café e terminavam com um ‘copo’ no Clube T. De referir que o ‘T’ não era o meu sítio favorito, mas o A. gostava imenso da ‘tiagem’…
Um dia, no ‘T’, o A. encontrou um amigo de uma amiga, um astrólogo muito conhecido na ‘praça’… E estava eu na pista, a dançar ao som de “La vie en rose” versão da Grace Jones, quando reparei no A. a fazer-me sinais como se estivesse a estacionar aviões… Eu dirigi-me a ele e disse-lhe: “Eu espero que tenhas uma boa justificação para me teres interrompido a ‘transe’… Então o A. apresentou-me o dito astrólogo. Até aqui nada de mal. O pior foi quando ele me disse que o dito astrólogo queria fazer o meu mapa astral. Eu sou distraída mas não sou parva. Claro que era ELE quem queria que o dito astrólogo fizesse o meu mapa astral… talvez para saber se a minha estrada se cruzava com a dele!…
Na semana seguinte, no ‘T’ (claro!), o dito astrólogo veio ter comigo e disse-me que estava fascinado com o meu mapa astral. Então levou-me para um sítio reservado e, entre várias coisas, disse-me uma ‘fabulástica’…
O dito astrólogo estava deveras intrigado com a minha vida sentimental (?!) Não tinha a certeza, porque havia uma ‘névoa’ sobre a minha linha do coração… mas das três, uma:
- ou casava com um estrangeiro
- ou casava no estrangeiro
- ou casava com um estrangeiro no estrangeiro
Eu desatei a rir-me e perguntei-lhe: “Só uma dessas hipóteses é válida… ou são as três?” O dito astrólogo, muito sério, respondeu-me: “Ah não, só uma é passível de acontecer!” Que chatice, já estava a preparar-me para três casamentos!
O certo é que até à presente data NADA aconteceu! Eu tive namorados estrangeiros, inclusive tive um delírio de casar
em Las Vegas (just for fun, pois não acredito na instituição matrimonial) mas o certo é que NUNCA casei. E nem sequer tenho intenção de casar!…
Mas confesso que gostava de assistir, somente como espectadora, ao ‘filme’ das minhas três bodas…
No fim-de-semana, em conversa com uma pessoa dada às coisas místicas, e em relação com uma situação particular da minha vida pessoal, fiquei a saber que nada acontece por acaso (?!)… Que talvez noutra encarnação eu tenha sido má, muito má mesmo, e portanto nesta encarnação a tal pessoa apareceu na minha vida para me fazer sofrer e assim eu poder expiar os meus pecados (?!)… E mais: eu tenho que perdoar, porque enquanto não perdoar, eu não terei paz(?!)…
O QUÊ???
Para começar, eu não me lembro do que fiz numa outra encarnação, logo não posso agora -em 2007!- estar a pagar por algo que fiz em… 1270!!! Além disso não me parece que me tenha cruzado com a tal pessoa numa anterior encarnação, certamente no nosso primeiro encontro na presente vida eu teria tido uma sensação de dejá vu … o que teria evitado tanta coisa!!! Para terminar, eu não sou Deus, logo não tenho o dom do perdão divino. E há coisas que não se perdoam! Lamento!
Eu não terei paz enquanto não perdoar?! E a outra parte, que tanto mal me fez, terá paz?!…
Não acredito em misticismos, sou demasiado racional para tal. Apenas acredito no que vejo, no que sinto, no que vivo. Agora será que, por ser como sou, irei “arder” no inferno?! Não me parece… De qualquer modo, também não me preocupa!
Ton charme commence où ton sex-appeal arrête.
Tu souris, tu me parles, c’est assez pour perdre ma tête!
Et c’est très sincèrement, que je te chante que…
C’est avec classe, que j’admire si tu l’permets à moi…
Car c’est ta classe, qui m’attire et tu le sais, ce soir,
C’est avec classe, que je te désire mais dans l’respect en tout cas,
C’est avec classe et ça marche à chaque fois… !
(Avec Classe - Corneille)