Ontem, à noite, o Canal Odisseia apresentou um documentário, realizado pela Arte em 2006, sobre a Revolução Sexual na República Democrática Alemã nos anos 60 e 70 do século 20.
Apenas um pequeno ‘ponto de situação’: a Republica Democrática Alemã (RDA) e a República Federal Alemã (RFA) surgiram em 1949, resultado do fim da ocupação aliada após a Segunda Guerra Mundial - a Alemanha foi divida e os sectores dos Estados Unidos da América, do Reino Unido e da França formaram a Alemanha Ocidental (=RFA) e o sector da União Soviética formou a Alemanha Oriental (=RDA). A capital da RDA manteve-se em Berlim, enquanto que a capital da RFA foi transferida para Bona. No entanto, Berlim foi também dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental, com a parte ocidental controlada pela RFA, apesar da cidade estar totalmente situada em território da RDA.
Mas voltando ao documentário… A diferença entre as duas Alemanhas era grande, não só a nível político, como também a nível educacional e cultural. Os alemães de leste eram progressistas! Por exemplo: nos anos 70 foi legalizado o aborto, o divórcio era rápido e quase a custo zero, os jovens com filhos tinham direito a habitações sociais, etc… Mas o grande destaque era a Educação Sexual. No final dos anos 60, a Educação Sexual era uma realidade. E no início dos anos 70 já estava implementada em todas as escolas. Inclusive eram feitos filmes didácticos, nos quais, entre outros assuntos, se abordava a disfunção eréctil.
Mas a grande revolução foi um livro chamado “Helga”. O seu autor, Erich F. Bender, seria também o realizador do filme com o mesmo nome, apoiado pelo Ministério da Saúde e datado de 1967. O filme, que acompanhava uma mulher, desde a concepção até ao parto, foi um sucesso… mas também um escândalo, sobretudo em países conservadores como Portugal. O filme apenas chegaria a terras lusas depois do 25 de Abril de 1974… Os meus pais assistiram a uma das polémicas sessões… consta que havia manifestações pró e contra e por vezes era necessária a intervenção policial. Eu nunca vi o filme mas tenho a primeira edição portuguesa do livro, editada pela Publicações Europa-América e datada de 1969.
No início da década de 70 do século 20, uma pequena Alemanha, com uma capital divida por um muro, deu o ‘tiro de partida’… Hoje, quase no final da primeira década do século 21, Portugal nem sequer deu um passo… E continuamos sem educação sexual nas escolas e ocupa o segundo lugar no ranking europeu de gravidezes na adolescência…
Mas estamos SEMPRE a tempo de aprender alguma coisa com o passado, nem que seja com um país que já não existe!
